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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

APRENDENDO ANALISE DO COMPORTAMENTO EM 9 PASSOS

Parte 4 - O Comportamento Operante

Como foi discutido até agora, há um tipo de comportamento que tem sua origem na história evolutiva das espécies e é caracterizado pela relação entre um estímulo eliciador e uma resposta. Porém há um tipo de comportamento caracterizado por outra propriedade: sua causa está nas modificações que são operadas no mundo. Assim é o comportamento operante, um tipo especial de responder que é sensível às conseqüências que produz. Por causa desta sensibilidade às conseqüências que cozinhamos, construímos, namoramos e brincamos, pois depois de fazer tais coisas obtemos saciação, abrigo, carinho e satisfação.

O comportamento operante tem um componente derivado da seleção natural, que é tal sensibilidade às conseqüências. Porém é caracterizado por uma variedade infinita de possibilidades: uma conseqüência pode ser produzida de qualquer forma, seja por um toque de mãos ou por um pedido, e a forma como se produziu aquela conseqüência tenderá a se repedir no tempo.

O conceito de operante é muito relevante para a ciência como um todo, pois contraria uma proposição científica que influenciou a psicologia por muito tempo. Em geral, entendia-se que um comportamento só poderia ser causado por algo que o precedesse. Porém a definição de controle pelas conseqüências trata-se de uma descoberta empírica (apoiada em dados observados com rigor experimental) e é compatível com compreensões científicas contemporâneas, como a física quântica e a seleção natural.


A análise do comportamento operante requer a compreensão de alguns conceitos. Os mais importantes aqui são comportamento, antecedente, resposta e conseqüência. Vamos a eles:

Comportamento: é a relação entre estímulos e respostas. Usualmente se diz que um comportamento é algo que uma pessoa faz, como chutar. Na verdade, quando nos referimos a um comportamento precisamos descrever o que a pessoa faz e alguma relação entre este fazer e o ambiente. Podemos completar o exemplo acima dizendo que um comportamento é algo que uma pessoa faz com alguma coisa, como chutar a bola que o outro jogador tocou e marcar um gol.

  • Antecedente: É alguma propriedade do ambiente que sinaliza uma oportunidade para a resposta ser emitida. No exemplo acima, o toque da bola pelo outro jogador é um antecedente para chutar a gol. Este conceito será melhor explorado na postagem sobre controle de estímulos.
  • Resposta: É o que uma pessoa faz, como olhar para a bola, mirar o gol, sentir a adrenalina, chutar, gritar, etc. Quando analisamos uma resposta, nem sempre é necessário descrever sua relação com os estímulos do ambiente. Nestes casos, o mais importante é verificar se a resposta foi ou não emitida.
  • Conseqüência: é uma modificação no ambiente efetivamente produzida pela resposta. O gol de nosso exemplo foi produzido pelo chute.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

APRENDENDO ANALISE DO COMPORTAMENTO EM 9 PASSOS

PARTE 2 - REFLEXO INCONDICIONADO

Atualmente é uma preocupação da psicologia moderna, definições e conhecimentos sobre como as pessoas se comportam e como aprendemos e fazemos relações entre eventos. Já se perguntaram o porquê de uma criança chorar de medo ao ouvir o barulho da maquina do dentista? Já se perguntaram como aquele belo prato de comida nos faz sentir a boca cheia de água?

Vamos explorar os conceitos de reflexo inato e mostrar como esses processos acontecem e por que são tão importantes para o entendimento do comportamento humano em suas manifestações.

Reflexo Inato ou incondicionado

Para falar em reflexos na Analise do Comportamento devemos voltar na história onde vamos encontrar um personagem chamado Ivan Petrovich Pavlov ( 1849 / 1936 ).

Pavlov foi um fisiologista Russo que ganhou o Nobel de Medicina, mas é conhecido até hoje pelos seus achados e contribuições a Psicologia.

Pavlov

Ivan Petrovich Pavlov

Pavlov estudava o sistema digestivo de cães apresentando diversos tipos de comida e media a quantidade de saliva que era produzida. No entanto Pavlov começou a perceber que a saliva era produzida mesmo quando a comida não era apresentada.

Observando o que acontecia, Pavlov percebeu que a comida quando apresentada junto a outros estímulos no ambiente sinalizavam a presença da mesma e como conseqüência produzia as mesmas reações fisiológicas em seus cães que a presença real da comida.

Estava descoberto o Reflexo Condicionado.

Para falar sobre o Reflexo Condicionado precisamos antes entender o que é o reflexo incondicionado. O reflexo incondicionado também conhecido como comportamento respondente é definido como uma resposta que é filogeneticamente instalada no individuo e de regra geral esta ligada a sobrevivência.

É eliciado por um estimulo incondicionado, ou seja, que naturalmente produza uma resposta quase sempre sem o controle ativo do organismo. Por ser incondicionado é correto dizer que a resposta é eliciada sem nenhum tipo de historia previa de pareamento. Como exemplo podemos citar que em um dia de muito calor o corpo produza suor ou quando existe uma luz muito forte , a pupila se contraia.

Pavlov para falar de Estimulo incondicionado e respostas Incondicionadas partiu das suas observações sobre a sua experiência, onde a comida sempre eliciava a salivação nos cães. Para tal relação Pavlov chamou a comida de Estimulo Incondicionado e a salivação de Resposta Incondicionada. Para essa relação entre um estimulo incondicionado e uma resposta incondicionada, Pavlov usou o termo reflexo Incondicionado. Um estimulo incondicionado vai eliciar uma resposta incondicionada ou automática.

A ilustração abaixo mostra o processo de Comportamento Respondente ou inato.

Si

Alguns exemplos de Estímulos incondicionados e respectivas respostas incondicionadas são :

Exemplos

Reflexo Incondicionado e a Origem das Espécies

O reflexo incondicionado como dito anteriormente é selecionado filogeneticamente. Mas o que quer dizer isso? Quando dizemos filogeneticamente, queremos dizer que o reflexo esta impresso no organismo em seu DNA e faz parte de toda uma espécie. Lembra que quando falei no Reflexo incondicionado, foi dito que geralmente ele esta ligado a sobrevivência da espécie ?

Pois bem, o reflexo incondicionado acabou sendo impresso no organismo pois contribuiu para a sobrevivência da espécie. O Behaviorismo Radical tem uma grande base na Evolução das Espécies de Charles Darwin. A Seleção Natural das espécies também depende dos reflexos incondicionados. Por exemplo, um animal que nasceu com uma alteração biológica onde o frio intenso a faz tremer e essa reação tem a função de tentar aumentar a temperatura corporal e sinalizar a morte, serviu como um diferencial entre os indivíduos que ao serem expostos ao frio morriam e aqueles que ao tremerem sabiam que precisavam aumentar sua temperatura rapidamente e com isso sobreviviam. O cruzamento entre os organismos que possuíam o reflexo de tremer ao frio foi sendo passado de geração em geração e gerou herdeiros com esse reflexo instalado, então todos os indivíduos pertencentes ao grupo adquiriram filogeneticamente o reflexo de tremer ao frio e portanto sobreviveram. Aqueles que não tinham o reflexo incondicionado de tremer morreram. O reflexo incondicionado teve a função de modificar organismos para serem mais fortes e mais adaptados ao ambiente.

O conceito de reflexo Condicionado, que foi desenvolvido a partir dos conceitos de Reflexo incondicionado são importantíssimos, tendo em vista que foi a partir deles que Skinner começou a desenvolver os conceitos de comportamento Operante e revolucionar o próprio paradigma da Psicologia.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

APRENDENDO ANALISE DO COMPORTAMENTO EM 9 PASSOS

HOJE ACORDEI COM UMA VONDADE IMENSA DE FAZER PSICOLOGIA ENTÃO RESOLVI POSTAR NOS PROXIMOS TEMPOS ALGO SOBRE ANALISE DO COMPORTAMENTO, COISAS DO TIPO INTRODUÇÃO, PRICIPAIS CONCEITOS, EXEMPLOS E PRINCIPALMENTE NUMA LINGUAGEM QUE TODOS "LEIGOS" POSSAM ENTENDER. ESTAREI A DISPOSIÇÃO PARA ESCLARECER QUALQUER DUVIDA.!
ENTÃO LÁ VAI.......
PARTE 1 - BEHAVIORISMO

O Behaviorismo teve sua origem em 1913, com a publicação do artigo “A psicologia como um behaviorista a vê”, de autoria de Watson; artigo este em que Watson criticava, dentre outras coisas, o uso da introspecção como método investigativo da Psicologia. De acordo com Watson, este método não era confiável porque estava muito sujeito aos caprichos do observador. Dois observadores diferentes podiam chegar a duas conclusões diferentes, mesmo observando a mesma coisa.

Ao publicar este artigo, Watson propõe uma mudança radical na Psicologia, tanto em seu objeto de estudo quanto em seu método de estudá-lo. O objeto deixaria de ser a consciência ou a mente, e passaria a ser o comportamento por si mesmo. A introspecção deixaria de ser usada e daria seu lugar a experimentação e observação direta. Deste modo, a psicologia se tornaria uma ciência natural capaz de explicar toda a atividade humana de maneira científica. Quem quiser conhecer melhor o pensamento de Watson.

Posteriormente, na década de 30, nascia o Behaviorismo Radical, foco de nossa discussão. O Behaviorismo Radical traz questões como “é possível uma ciência do comportamento?”, “ela poderia tratar todos os aspectos da natureza humana?”, “como deveria ser esta ciência?”. Skinner, assim como Watson, acreditava que é possível sim uma ciência do comportamento que trate de todos os aspectos da natureza humana; no entanto, ao contrário de Watson que preocupava-se mais com a criação dos métodos que esta ciência deveria empregar para investigar estes aspectos, Skinner preocupou-se mais com a criação de termos e conceitos capazes de explicá-los de maneira clara e precisa.

B.F.Skiner

O Behaviorismo de Skinner aproximou-se muito do pragmatismo de James e Peirce, corrente de pensamento que preconizava a idéia de que algo é mais ou menos verdadeiro à medida em que nos permite explicar de maneira mais eficaz o que é observado. Ao aproximar-se do pragmatismo, Skinner afasta-se do positivismo lógico, escola filosófica que teve sua origem no Círculo de Viena e preconizava que a verdade deve ser atingida por consenso entre observadores. Isto abria um leque bem maior de possibilidades para o Behaviorismo; inclusive de criar condições de estudar eventos privados, coisa que o Behaviorismo de Watson não admitia sob a justificativa de naquele momento não existir ainda tecnologia adequada.

Na verdade, o Behaviorismo de Skinner não se encaixa completamente em nenhuma escola filosófica de seu tempo, mas possui aproximações com várias delas. Além do Pragmatismo, Skinner aproxima-se também do Darwinismo e seu modelo selecionista. Para Darwin, as espécies são selecionadas naturalmente à medida em que adquirem características que lhes permitam interagir de maneira mais eficaz com o ambiente que está em constante mudança. Com o conceito de Comportamento Operante, fortemente influenciado pelos estudos de Thorndike e a lei do efeito, Skinner diz que um processo semelhante acontece na aprendizagem de nossos comportamentos; onde, sabendo que comportamento é interação constante entre o organismo e o ambiente, seriam selecionados aqueles comportamentos que produzissem alterações no ambiente – que posteriormente foram nomeadas como “reforço”, por Skinner -, de modo a aumentar sua freqüência; enquanto aqueles que não produzissem este mesmo tipo de conseqüências reforçadoras, diminuiriam de freqüência, entrando em extinção.

Influenciado também pelo conceito de Comportamento Respondente de Pavlov e Watson, ao criar o conceito de Comportamento Operante, Skinner exclui de vez a necessidade de qualquer tipo de explicação para o comportamento que incorporasse entidades metafísicas, ou que estivesse além dos elementos naturais. Skinner, deste modo, constituia-se um monista materialista. Ele defende que o comportamento deve ser explicado através da observação e descrição das relações entre eventos naturais, como o organismo e o ambiente. Ambiente para Skinner é um conceito que vai além do tradicional. Ele define ambiente como tudo aquilo o que é externo a uma ação. Deste modo, o próprio organismo pode ser parte do ambiente.

O conceito de Comportamento também vai além do tradicional. Ele define comportamento como a interação do organismo com o ambiente, e chama de “resposta” a ação ou ato emitido pelo organismo, seja este ato público, isto é, observável por mais de uma pessoa, ou privado, só acessível a quem o emite. Exemplos de respostas privadas são o pensamento, a emoção e o sentimento. Outras pessoas podem no máximo inferir o que alguém pensa ou sente a partir de algum ato (resposta) – acompanhamento – público, mas jamais pode saber exatamente. Estes eventos privados podem ser estudados através de relatos feitos por quem os emite. Estes relatos, do mesmo modo que outros comportamentos, também são aprendidos de acordo com a comunidade em que a pessoa cresce.

Skinner não atribui somente ao ambiente a construção de nosso repertório comportamental. Conforme será explicado a seguir, o ser humano já nasce com um repertório básico, mínimo para a sua sobrevivência, chamado de “reflexo inato”. Este repertório foi selecionado num primeiro nível de seleção, chamado filogenético, e é constituído de respostas como fechar o olho diante da aproximação súbita de um objeto, o sugar do bebê ao entrar em contato com o seio materno, o coração disparar diante de um susto, etc. Estes comportamentos não são aprendidos durante a vida da pessoa, ela já nasce com eles. À medida que o organismo vai vivendo, as relações que ele estabelece com o ambiente vão modificando o seu comportamento, o que pode acontecer através de pareamento, como no caso do condicionamento respondente, ou condicionamento operante, conforme será explicado adiante. A este nível de aprendizagem, Skinner chamou de Ontogenético. Como o organismo vive inserido em uma comunidade de falantes, que selecionam determinados comportamentos, dizemos que ele vive inserido em uma cultura, terceiro nível de aprendizagem, chamado por Skinner de Ontogenético-Cultural. Nas próximas postagens desta série de conceitos básicos de Análise do Comportamento, estes níveis de seleção serão melhor explicados. Acompanhe, vai ser legal.

ATE A PARTE 2 PESSOAL.